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BLUE TRAVEL No. 14 | JULHO 2004



TODOS OS TEXTOS BLUE TRAVEL | KATYA DELIMBEUF

Alagna
O último segredo alpino

Entre o apelo da História e o da montanha, não faltam razões para ceder ao chamamento de Alagna, uma pequena aldeia alpina, perdida na Idade Média.

Por Katya Delimbeuf / Fotos de Yves Callewaert

Domingo, 9h30 da manhã. Os sinos repicam numa longa e complexa melodia, chamando os fiéis para a missa. Às 10h, a igreja está cheia, de gente de todas as idades – famílias, miúdos, anciãos. Diante do magestoso altar barroco povoado de anjos dourados e querubins, Don Carlo, o «padre-alpinista», nunca termina a missa sem lembrar a previsão metereológica dos próximos dias. No Inverno, reza para que neve – a aldeia inteira sabe isso. De outro modo, como poderia fazer o seu ski, e o seu ‘slalom’, três a quatro vezes por semana, que pratica desde os 15 anos?

É um padre ‘radical’, este Don Carlo, pároco de Alagna há 23 anos, querido de todos. Os 71 anos do bilhete de identidade contrastam com o seu bom humor e boa forma. Que ele saiba, só há em Itália dois ou três padres esquiadores, mas para ele, o facto era inevitável. «Fui sempre destinado à montanha», diz ele, que ainda foi padre noutra aldeia alpina. É assim Alagna, uma pequena povoação de 280 habitantes, onde até o padre faz ski. Ali, a montanha é omnipresente e todos têm uma relação com ela. Quer passe pelo ski, pelo ‘snowboard’, pelo alpinismo ou as caminhadas, não há quem resista ao seu chamamento.

Recuar no tempo
Chegar a Alagna é um pouco como parar no tempo. Melhor dizendo, é como se tivéssemos regressado à Idade Média e andássemos agora pelas ruas, onde as casas de madeira com os seus vários andares continuassem a albergar os animais no piso térreo e as famílias no de cima. Não é por acaso que esta sensação se dá: a cultura Walser está fortemente impregnada na aldeia, na forma mesmo como ela foi construída. Os Walser foram uma comunidade de origem suíça que, na Idade Média, em meados de 1300, desceram dos cantões e fixaram-se em Alagna. Queriam deixar de ser servos e tornarem-se proprietários das suas próprias terras. Como as condições de vida ali eram tão duras que poucos lhes conseguiam sobreviver, as parcelas nunca foram reclamadas.

A herança Walser está fortemente presente, dizíamos, nomeadamente na arquitectura da aldeia. As 23 «frazioni» originais ainda existem - aglomerados de uma dezena de casas - às vezes tão próximas umas das outras que os telhados se tocam -, com estruturas comunais: uma igreja, uma fonte, um forno para cozer o pão... Percorrendo Alagna, podem admirar-se as casas de madeira de três andares, com barrotes horizontais a percorrê-las, como que protegendo-as. Na verdade, estas traves serviam para pôr o feno a secar, no verão. É possível, ainda, andar a pé e perder-se nos labirínticos e estreitos caminhos que ligam as várias casas, e nos fazem por vezes desembocar em pleno pátio de uma habitação para a qual não entrámos.

Uma aura de mística medieval percorre a aldeia. Em todo o lado vêem-se pilhas de toros para alimentar a lareira. Cheira a lenha nas ruas, enquanto grossas camadas de gelo forram os telhados de xisto. Estas casinhas são parte inquestionável do charme de Alagna. Estamos num sítio preservado desde a Idade Média, e isso fará as delícias de qualquer apaixonado por História. O melhor de tudo... é que estas casas continuam habitadas.

O ancião da aldeia

Emilio Stainer, o ancião da aldeia, continua a viver na sua casa de família, de 1663. Para quem não acredita, a data está gravada numa trave de madeira, à semelhança de todas as casas Walser. Também lá se encontra o símbolo da família, na ombreira da porta, como um brasão. A residência de Emilio faz parte da «Frazione Chiesa», a mesma onde vive Don Carlo, mas por baixo da placa que a identifica podem ler-se as palavras «Zar Chilchu». É a tradução em Walser, uma forma antiga de alemão. Há vestígios dessa língua um pouco por toda a aldeia: repare nas tabuletas a indicar o nome das casas: Fuar Hus (= casa). Hoje reformado, aos 80 anos, Emilio lembra que sempre falou alemão em casa, já que os pais eram descendentes de Walser. Ainda se recorda de quando 90% da população de Alagna falava alemão – até 1940, antes da guerra. Hoje, só 10% dos locais são Walser, cerca de 45 pessoas.

Emilio foi prisioneiro de guerra, de 1943 a 1945. Tinha 21 anos quando o apanharam, nos Alpes do Montenegro. Esteve preso 22 meses, mas como serviu de tradutor (do alemão para italiano), foi bastante poupado. Mantém vivos na memória os tempos em que era pequeno e os animais viviam no andar de baixo da casa: vacas, carneiros, um porco que se matava antes do Natal. Em cima, eram os quartos. O feno secava-se nos barrotes de madeira dos andares de cima. Também se lembra do tempo em que Alagna só vivia da agricultura. «Hoje, vive-se do turismo, mas isso não é de agora», explica. «Em 1900, já havia oito hotéis em Alagna. Vinham muitos turistas - suíços, ingleses – fazer alpinismo, não ski. Foi só nos anos 50, verdadeiramente, que começou o fenómeno do ski». A estância propriamente dita abriu as suas portas em 1963.

O paraíso dos ‘freeriders’

Hoje, mais do que a História, é o ski que atrai pessoas a Alagna, sobretudo entre os aficionados do ‘freeride’ e do ‘hors-piste’. A montanha em estado selvagem traz cá muita gente. É especialmente ao fim-de-semana que Alagna se enche, em particular de turistas italianos que vêm das proximidades. Quanto a turistas, são sobretudo ingleses e escandinavos os estrangeiros nesta pequena aldeia alpina. A dinamarquesa Tine Henrikson é uma das primeiras com quem nos cruzamos. Está sempre lá em cima, na montanha, a fazer ski ou telemark, como atesta a sua pele avermelhada pelo sol e emoldurada pelo cabelo louro. Tine é de Copenhaga. Este é o 5 ano que regressa a Alagna. Apaixonou-se por este sítio, ela que esquiou um pouco por todo o lado e diz nunca ter encontrado um local como este, «em termos de beleza, de ambiente, de ski». A sua definição de Alagna é provavelmente uma das melhores que ouvimos ao longo da nossa estadia: «É um lugar que permanece intocado».

No entanto, Tine e outros temem pelo futuro próximo. Questionam-se sobre até quando poderá o sítio – e a neve – manter-se virgem, com a abertura (prevista para 2005), de novas pistas que farão ligação a estâncias como Champoluc e Gressoney. Aí, possivelmente, o público, até agora restricto e de nível elevado, poderá modificar-se. E ninguém em Alagna quer isso. Michele Lungo vive aqui há 21 anos e confessa não se sentir preparado para as mudanças. Mas considera que não há alternativa, se se quer sobreviver. «Não se pode viver de 100 ou 200 pessoas por semana», diz. Michele é o responsável pela segurança na montanha, e guia há oito anos. Além disso, é também um belíssimo homem - com 1m 95, olhos de um azul profundo, cabelo revolto e uma inegável aura de mistério. Aos 33 anos, não saberia viver longe daqui. É claramente uma pessoa da montanha.

Michele pertence a uma das famílias mais antigas de Alagna: os Enzio (do alemão Heinz). Mora numa casa Walser na montanha, a 200 m de altitude, «porque é mais calmo do que a aldeia...» Todos os dias se deita às 22h30 e se levanta às 6h da manhã, sem falta. Às vezes, acorda mais cedo, às 5h, para ir esquiar na neve fresca, depois de nevar. O que mais gosta em Alagna é ser ainda tão diferente das outras estâncias de ski - «no público que vem, na paisagem selvagem, sem pistas». Assume ter um «espírito aventureiro», mas acredita que 70% dos que procuram Alagna partilham essa atitude. Não chegámos há muito tempo, mas já ouvimos tanto sobre esta montanha que queremos ver com os nossos olhos e sentir com os nossos pés... Está decidido: esta tarde, vamos para cima.

Aqui em cima, bem no topo
Como estamos hospedados na residência Mirella, demoramos menos de um minuto até ao teleférico. As cabinas estão sempre a passar, pelo que é só comprar o bilhete e entrar na primeira que apanhar. Início da subida. As casinhas com os seus telhados revestidos de neve começam a ficar para trás; por baixo de nós, tufos de erva longa fazem bonitos reflexos de vermelho. Há pequenos agrupamentos de dezenas de casas, isoladas na montanha. A viagem é longa e silenciosa. Primeira paragem: 2050m. Temos de mudar para as cadeirinhas. Aqui há pistas e pessoas que descem. Numa cadeira ao ar livre, seguimos até à próxima etapa da nossa viagem. Com o ar fresco a bater-nos na cara, este troço do percurso é particularmente agradável. Aprecie o silêncio.

Agora, passamos por cima de esquiadores. Miúdos pequenos fazem corridas para ver quem chega primeiro ao fim da encosta. Uma praticante de ‘snowboard’ insulta o namorado por não a ajudar a levantar-se. Eis-nos chegados à nossa segunda paragem, que nos separa do topo, Punta Indren. Algumas pessoas descansam ao sol, outras estão sentadas à mesa. Percebo porquê não tarda: aguardam a sua vez para subir. Porque é fim-de-semana, anunciam-me que tenho uma hora de espera até chegar a minha cabina: n 25. Se fosse outro dia, a subida seria quase imediata - sem tempo de espera, o percurso na íntegra demora uns 40 mn. Aproveito para fazer umas pistas e apanhar sol. Uma hora mais tarde, é a nossa vez. Dez minutos depois, lá está Punta Indren, a 3260m. Um rochedo no meio do nevoeiro.

A partir de agora, espera-nos uma hora e meia de ski, fora de pista, até atingirmos o nosso objectivo, mas a recompensa vale bem o trajecto: vamos passar a noite no Refúgio Guglielmina, considerado o melhor refúgio de montanha num meio selvagem pelos Harpers & Queen Travel Awards, e um dos 150 melhores lugares ao cimo da terra. A curiosidade é mais que muita... Hoje, a visibilidade ditou que o helicóptero ficasse em terra, mas com condições favoráveis, aproveite: o ‘heliski’ só é permitido em Itália, Espanha e Suíça. Seguimos com um guia – obrigatório - na direcção de Gressoney, a estância de ski mais próxima, pelo itinerário Woss, um «couloir» estreito e difícil - só aconselhável a esquiadores proficientes, como aliás a maior parte dos percursos em Alagna. Aí, apanhamos o teleférico até aos 2880 metros. Passados dois minutos, estamos no refúgio.

Refugiados do mundo
É uma casa grande, decorada ao estilo rústico, com interiores em madeira. Ao lado do restaurante e da zona de bar, a lareira da sala chama por nós, qual cântico de sereia. Lá chegaremos, depois do almoço, para uma merecida sesta. O sítio é muito concorrido durante o dia – há uma cinquentena de pessoas a almoçar. Comemos uma tradicional polenta com salsichas, sobremesa, café e, como não podia faltar, finalizamos com uma ‘grappa’. Total: 15 euros. Nada mau... Directamente do restaurante para a sala, onde a sereia insiste no seu chamamento, aninho-me em frente à lareira, e adormeço com um sorriso, ao pensar nas temperaturas lá fora. À minha volta, pessoas esparsas jogam uma partida de xadrez, lêem um livro, insistem em mais uma ‘grappa’ ou conversam com o proprietário do refúgio, Franco Calaba, um eremita da montanha.

A noite cai, e com ela as temperaturas. O termómetro de parede marca agora -7 C. Em consonância, dão-nos dois édredons para nos protegermos do frio. Não há duches nem casas-de-banho tradicionais aqui em cima, só turcas, pelo que a expressão «xixi, cama» adquire um significado diferente. O gerador é desligado às 22h30 - por isso, somos ‘obrigados’ a deitar-nos cedo. Mas depois do ski, o corpo pede descanso. Além disso, o dia seguinte trará a recompensa… Às 6h da manhã, quando o sol inunda o quarto de luz e obriga os olhos a abrirem-se, percebemos que estamos perante o espectáculo natural mais bonito que alguma vez vimos. Estamos por cima das nuvens, com um céu impressionista pintado em tons de laranja e azul, de uma beleza indizível. Vê-se até Milão...! Estamos fora do mundo, longe de tudo, no meio da natureza selvagem, como que a flutuar. Por momentos pergunto-me se não teremos morrido e ido para o céu... Será assim o paraíso?

Um outro ‘après-ski’

Ainda extasiados e mal refeitos da iluminação (quase) divina, esquiamos até cá abaixo. É mais um dia de neve virgem e pó fresco e passamos a tarde a fazer ski, até que o último teleférico, às 16h15, dite o regresso à aldeia. ‘Après-ski’ em Alagna é sinónimo de Bacher, a «vineria» - o que, numa tradução livre, se diria ‘enoteca’, mas sem a formalidade da palavra. É o ponto nevrálgico da vida social da aldeia, o sítio onde toda a gente vai e toda a gente se encontra. Aqui não há chocolate quente, crepes nem lareira. O ‘après-ski’ faz-se com um copo de vinho tinto - dentre uma vasta garrafeira à escolha -, acompanhado por um prato de tapas, queijo e fiambre aos cubos e pão. Aproveite para pôr a sua cultura vinícola em dia – e para conversar. Se há gente interessante em Alagna, é aqui que ela está.

Malu Enzio, prima de Michele, é uma miúda gira de 26 anos, loura, de tranças e sardas, que trocou Milão, onde tirou o curso de Relações Públicas, por Alagna. Vive cá há três anos e confessa que não gosta da cidade, do ‘stress’, do barulho... «Gosto de calma... Prefiro ter um emprego em que ganho menos mas tenho tempo para, quando saio, ir para a montanha...» Gosta de conhecer toda a gente, de ter tempo para ela. Diz que quer viver aqui para sempre. Quem também poderíamos encontrar aqui é Sérgio Gabbio, ‘maestro’ (professor) de ski e de alpinismo e espécie de lenda local – para a qual terão certamente contribuído o facto de ter subido aos Himalaias 18 vezes, ao Nepal 15, e ao Tibete três, entre outras coisas. Encontramo-lo à lareira do seu recém-inaugurado hotel, o Montagna di Luce, na frazione Pedemonte, a primeira e mais antiga de Alagna. A reconversão desta casa de família, uma casa Walser tradicional, era o seu sonho. Há quatro anos, começou o difícil processo de «conciliar o novo e o antigo». O estábulo deu lugar ao actual restaurante, as paredes forraram-se de fotografias de família dos seus avós e bisavós, o mobiliário, original, foi mantido. O banco corrido onde estamos sentados, por exemplo, tem a data gravada na madeira: 1680. Estou sentada em cima de um pedaço de História...

Sérgio conseguiu fazer deste hotel um local sem rival em Alagna. Mantendo a traça original, com a madeira e a pedra da altura dos Walser, os oito quartos foram decorados com mobília de época. Há pormenores muito bonitos, como a data da casa entalhada numa trave, ou o telhado com os barrotes e a pedra à vista. Fique aqui, que vale mesmo a pena – ou, não podendo, tire meio dia para visitar o Museu Walser, na mesma frazione, e almoce cá.
O hotel herdou o nome de uma montanha tibetana que nunca ninguém conseguiu escalar, explica Sérgio. A Kailasc, a 6500m, baptizou o sítio: ‘Montanha de Luz’. «A Kailasc é usada como altar por três religiões», conta. Este pormenor exprime bem a ligação de Sérgio com a natureza. «Casei com a montanha», diz. «Dediquei-lhe a minha vida. Ainda hoje, passo seis dias por semana com ela, lá em cima». Sérgio encarna bem o espírito de Alagna. Ali, é impossível ignorar a montanha, não ter uma ligação com ela. Afinal, descubro que é um equívoco dizer-se que se respira pior em altitude – nesta aldeia alpina, são muitos os que não sabem viver sem aquele ar.

 

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GUIA

Onde ficar
Refúgio Gugielmina* (*Blue Spirit)
Vir a Alagna e não ficar no Refúgio Guglielmina pelo menos uma noite é um acto de loucura, na nossa opinião. Com 42 quartos com beliches, a 38 ¤ a dormida - jantar e pequeno-almoço incluídos -, o preço é irrisório perante a experiência de estar completamente alheado do mundo e o espectáculo visual do nascer ou do pôr do sol. A comida é boa, como a garrafeira – aconselhamos os bifes de burro ou o minestrone, regado a Gattinara reserva, um vinho excelente. Também serve almoços. Pode ainda almoçar noutro refúgio, a 100 m de distância. Não se esqueça do itinerário, sempre acompanhado por um guia: a partir de Punta Indren, tem uma hora e meia de ski fora de pista até Gressoney, e daí são dois minutos até ao refúgio. Um ‘must’!

Montagna di Luce* (* Blue Spirit)
Inaugurado em Fevereiro de 2004, este hotel, uma casa Walser original de 1764, é o único em Alagna que pode ser considerado hotel de charme. Por aliar a tradição do sítio e a cultura Walser, indissociável da aldeia, ao bom-gosto da decoração, e se situar na ‘frazione’ mais típica e mais antiga, a Pedemonte, é o local que recomendamos. Tem apenas oito quartos, todos com casa-de-banho e banheira (quatro delas com hidromassagem), mobiliário antigo, do tempo dos Walser. É uma casa com pormenores muito bonitos, como a data da casa embutida numa trave do último andar ou o telhado em pedra, original, que se vê do 3 para o 4 piso. Recomendamos o quarto com paredes de pedra, o mais típico. Os preços variam entre os 120¤ a 140¤ (sem vista para a montanha), e os 140¤ a 180¤, com vista – por noite, com pequeno-almoço incluído. No piso térreo, o antigo estábulo deu origem a um bar com lareira e um restaurante. Se se cruzar com o proprietário, Sergio Gabbio, aproveite para conversar, que ele tem muito para contar.
Frazione Pedemonte, 13 201 Alagna Valsesia. Tel: 0039 01 63 92 28 20
E-mail: sergio.gabbio@libero.it

Hotel Monterosa
É o hotel mais antigo de Alagna, que remonta a 1865. Dessa época apenas se mantém o Salão Marguerita, com o seu tecto pintado ao estilo oitocentista (actualmente o restaurante do hotel, ‘La Stube’), e a inscrição de pedra, na recepção, a atestar a passagem da raínha Margherita di Saboia por ali, em 1892. Os 14 quartos foram remodelados em 1980, pelo actual proprietário, Giorgio Fiorentini, um romano que terá todo o gosto em vos dar a provar os tradicionais «miace», que serve no ‘Café delle Guide’, o café do hotel. Situado no centro de Alagna, mesmo defronte à magnífica igreja de 1511, de estilo barroco e com impressionantes frescos no pórtico, o hotel pratica preços acessíveis, para quartos simples e sem luxos: 50¤ por dia em meia pensão (época baixa), 70 em época alta. Aproveite para brincar com Ronda, a bela cadela com ares de Huskie que gosta de rebolar na neve.
Mais informações em www.hotelmonterosa-alagna.it

Residência Mirella
Ideal para quem quer ficar mesmo ao pé do teleférico que dá acesso à montanha, a residência Mirella vale sobretudo por três motivos: pela simpatia da família proprietária - Manuela, o marido e o filho -, sempre pronta a dar conselhos e a ajudar; pelo facto de ter uma pastelaria no R/C, à entrada do hotel, com uma ampla oferta de bolos e chocolates, de fabrico caseiro; e pelos agradáveis quartos, em madeira clara, decorados ao estilo alpino, repletos de «edelweiss», a flor dos Alpes, pintados e esculpidos. Alguns estão apetrechados para serem plenamente auto-suficientes: têm uma mesa desdobrável, que se transforma num armário de parede com loiça e talheres no interior, e uma pequena cozinha com fogão, frigorífico e lava-loiça, onde pode cozinhar refeições ligeiras.
Preços: perguntar João
Frazione Bonda, Alagna Sesia. Tel e fax: 0039 01 63 92 29 65

Hotel Cristallo
Aberto em Maio de 2004, depois de uma completa remodelação, o Cristallo é reputado ser um dos hotéis com maior preocupação com o ‘design’ e a decoração do seu espaço. Construído em 1932, em ‘Liberty Style’, garante «fundir a alta tecnologia com as mais refinadas técnicas de decoração e o uso de materiais tradicionais», como a pedra e a madeira. Para além do restaurante, conta ainda com serviço de massagem, sauna, banhos russos, piscina interior e piano-bar. Mesmo em frente ao Hotel Monterosa.
Piazza degli Algerghi, Alagna. Pormenores em www.hotelcristalloalagna.com

Casa Smitt
São apartamentos espaçosos, de 65 m2, em madeira, simpáticos e agradáveis, que dão até cinco pessoas. Esta antiga villa do século XVIII está situada na estrada principal de Alagna e é a agência de viagens Lyskamm, no R/C, quem trata do aluguer. A melhor solução para quem vem em família ou com um grupo numeroso. Mesmo em frente à ‘vineria Bacher’, o que é uma vantagem inequívoca.
Frazione Centro, 44, 13 021 Alagna Valsesia.
Tel e fax: 00 39 01 63 92 29 93 – www.alagna.it

Indren Hus
Esta bela casa em pedra com varandas de madeira chama a atenção pela sua fachada, mas o interior não deixa de desiludir. As opções são várias: há os quartos simples, ‘bed & breakfast’, e os apartamentos, remodelados em 2001 – mas nenhum deles guarda a traça original da belíssima casa Walser de 1669 (como atesta a data entalhada numa trave de madeira do terceiro andar). Estes apartamentos poderiam estar aqui ou noutro sítio qualquer, sem que a decoração nos remeta para nada específico de Alagna. Por isso, apenas recomendamos a parte antiga da casa, onde o quarto que ainda conserva a porta original nos dá um gostinho da época (90¤ por dia). Tem sauna e vista para a pequena capela barroca com frescos na fachada, que faz parte da Frazione. Tem também um restaurante, que serve comida internacional.
Mais informação em www.indrenhus.it - Tel e fax: 00 39 01 63 91 152 Baita Reale
Um pouco à semelhança da Indren Hus, a Baita Reale, uma casa Walser tradicional, na frazione Reale, desilude. Apartamentos simples, com um ou dois quartos, kitchenette, e casa-de-banho, mas nada que distinga pela decoração. Uma casa destas merecia um interior à altura... Pontos fortes: garagem, fitness, e hidromassagem.


Onde comer
Fum Diss
Numa casa Walser tradicional, na frazione Dosso, bem no alto de Alagna, o Fum Diss tem a fama (e o proveito) de ser um dos melhores e mais típicos restaurantes de Alagna. Com um ambiente familiar e decoração rústica, em madeira, aposta sobretudo na comida regional, como a genuína ‘polenta’ de trigo, as salsichas ou a panna-cotta. Como vinho, recomendamos o Giobbe, um tinto encorpado e frutado, a lembrar os nossos alentejanos. Preço médio de uma refeição: 23¤

Dir und Don
O restaurante do Bacher, no piso de baixo da ‘vineria’, é um espaço agradável, com uma decoração simpática e comida cuidada, com gosto na apresentação. Recomendamos o veado. Ao lado, a Brasserie, muito concorrida, é particularmente apreciada pela vasta oferta de pizzas, embora também tenha outros pratos. Preço médio de uma refeição, com quatro pratos e vinho: 50¤ / Dois pratos sem vinho: 20¤
Via Centro, 13 021 Alagna – tel: 00 39 01 63 92 26 42 Ristaurante Unione
Situado por baixo do antigo Teatro Unione, este restaurante com ambiente caseiro apresenta uma ementa variada: recomendamos o ganso e o ‘filet de cavalo’, regados a Pinot Nero (La Cupola). ‘Raclette’, só reservando. Preço médio: 22¤
Tel: 00 39 01 63 92 29 30

Montagna di Luce
Instalado no Hotel Montagna di Luce, o restaurante beneficia do ambiente agradável e cuidado que comunga o espaço. Uma das paredes está revestida de retratos de família dos Walser que habitaram aquela casa, no século XVII, antepassados do proprietário, Sérgio Gabbio. Aberto todos os dias, com refeições entre os 25¤ e os 40¤. Recomendamos os ‘Baci alla Montagna di Luce’, os ‘Ravioli di Capriolo ai Funghi’, o ‘Capriolo com Polenta’ ou os tradicionais ‘Miacce’, espécie de panquecas finas em massa estaladiça, com queijo ou presunto no interior.
Frazione Pedemonte
Tel: 00 39 01 63 92 28 20

Après-ski
Vineria Bacher
O Bacher é o local onde se concentra toda a vida social de Alagna. É, sem sombra de dúvida, o sítio para estar, a qualquer altura do dia: seja logo cedo, às 7h 30, quando abre, para o pequeno-almoço; seja à tarde, por altura do ‘après-ski’, para beber um copo de vinho tinto e comer umas tapas; seja à noite, para uma ‘grappa’ ou uma caipirinha – é, de resto, o único local com animação nocturna e música. A esplanada, que só está aberta aos fins-de-semana, é ideal para apanhar sol e ler o jornal regional.
Via Centro – tel: 00 39 01 63 91 301

Café del Centro
Para um ‘après-ski’ mais ‘maduro’ - ou quando faltam lugares no Bacher -, o Café del Centro’ é uma hipótese. Com paredes em madeira, tem recantos simpáticos para se estar, simplesmente. Café delle Guide:
Para almoços ligeiros ou lanches, o Café delle Guide, em frente à igreja, é uma simpática opção. Tem ‘pitas’, ‘brusquettone’, ‘focacce’ e ‘miacce’ – tudo com apontamentos de gastronomia regional. Giorgio, o proprietário, é uma simpatia: fa-lo-á provar todas as opções da ementa.

Museu Walser
A 10 minutos de caminhada, passando a 3 ponte à direita, encontramos a Frazione Pedemonte - a primeira a ser constituída em Alagna, em cerca de 1300 - , como atestam os caminhos labirínticos, estreitos e tortuosos das suas ruas. É a fracção mais típica de todas, que mantém na íntegra as suas casas Walser, com os telhados quase a tocarem-se, os recantos e as estruturas comunitárias. Lá está a fonte, no pátio da casa de três andares, de1628, onde se instalou o Museu. Ali encontra-se reconstituído o modo de vida dos Walser, com a cozinha e os estábulos no andar de baixo, os instrumentos para fazer o leite e os instrumentos de fiar. Os quartos, no segundo andar, guardam os berços e as camas de criança, com enxovais bordados e touquinhas de 1644 ou 1849. E no sótão, encontram-se os trenós, as mós, e a despensa, com arcas para os cereais e umas espécies de ‘escaparates’ para guardar o pão, pendurados do tecto para que os ratos não o alcançassem. O museu vale bem a visita, como a Frazione inteira. Guarde meio dia para passear aqui e almoçar no Montagna di Luce – é o nosso conselho.
Aberto aos fins-de-semana e feriados, das 14h às 18h (excepto em Agosto - aberto das 10h às 12h e das 14h às 18h) - Gratuito para menores de 6 anos
Frazione Pedemonte
Heli ski